17 de maio de 2011


Este é um dos mudras mais espirituais que existem e tem aplicações sobre o espírito e sobre nossa psique.

Muitos “deuses” e gurus orientais aparecem em estatuas e fotografias com essa posição. Também no cristianismo podemos encontrá-las em algumas representações de Jesus Cristo ou de algum santo.

Propriedades

Quando necessitamos nos sentir protegidos e esperançosos de que podemos superar que nos apresente, este mudra pode nos ajudar.

Há momentos em nossa vida em que sentimos uma certa vulnerabilidade e desproteção. Muitas pessoas nessas horas decidem recorrer a alguma divindade com orações e rezas para que essas lhe ajudem. Esse mudra atua como uma dessas orações, aliviando nossos medos mais profundos e conflitos mais internos. É a luz no fim do escuro túnel.

Esse medo se vê substituído por uma esperança no triunfo final e a confiança que mais necessitamos para abordar os problemas que enfrentamos.

Execução

Deve realizá-lo com a mão direita, tal como indica a foto. Com a palma da mão para fora, com os dedos um pouco separados e sem forçar a mão dobrando ligeiramente os dedos como se descansassem de forma natural.

A mão esquerda descansa sobre o coração.

Recomendamos que acompanhe o mudra com qualquer tipo de meditação sobre proteção, e como superar os medos, as angustias, as dúvidas... 

16 de maio de 2011

Mudras

Mudra significa gesto. Os mudras são os gestos corporais que se utilizam principalmente em Hatha Yoga, mas também utilizados em outros tipos de meditação.

Estes gestos são muito importantes porque nos permitem canalizar adequadamente a energia através de nosso corpo, assim como facilitar a execução de numerosos objetivos, como a iluminação, a cura emocional e física.

Sua origem não é muito clara, embora no ocidente os conhecemos graças ao mundo oriental que nos traz como conseqüências de suas doutrinas e ideologias.

Há mudras muito completos que implicam-se a todo o corpo, mas também a mudras muito simples e igualmente poderoso que so exigem de nosas mãos para alcanzar nossos objetivos.

Para praticar esses mudras não é necessária grande uma grande habilidade, porem bastante pratica, especialmente com aqueles que são muito complicados. Os dedos vão se juntando entre si de maneiras muito diversas e com pressões muito diversas onde as vezes so é necessário um leve toque e outras vezes se necessita de uma grande pressão.

Devido à diferentes qualidades de cada um deles, é recomendável utilizá-los durante um tempo determinado que vão de 3 a 45 minutos e geralmente é conveniente usá-los uma vez ao dia no mínimo.

É importante ter em mente que utilizá-los para uma cura física, que não há milagres, mas seu papel é servir de apoio para o tratamento que estamos utilizando para a cura, fazendo com que seja mais eficaz e que a enfermidade se cure mais rápido.

Nas mãos, igual aos pés, estão os reflexos de todos nossos pontos corporais, e por eles, as diferentes posições ajudam a desbloquear aqueles que estão em desarmonia:

Dedo polegar:  representa o elemento fogo e seu empenho energético é equilibrar as energias do corpo nutrindo quando deve ser alimentado e destruindo quando dever ser eliminado. Também é onde reside nossa consciência divina.

Dedo indicador: representa o elemento ar e seu empenho energético é fornecer-nos a capacidade de criar e pensar. Este dedo nos trás as inspirações divinas       . Nele reside nossos diferentes estados de humores.  É atribuído-lhe o quarto chackra.

Dedo médio: representa o elemento éter e sua característica é prover-nos da energia necessária para atuar e viver  em harmonia com o mundo espiritual que tem ao nosso alcance. É conectado com o quinto chackra.

Dedo anular: representa o elemento terá e sua característica energética é fornecer-nos dar a força necessária para nos defendermos e lutar pelo que é nosso, assim como o equilíbrio interior para enfrentar qualquer situação. Liga-se ao primeiro chackra.


Dedo mindinho
: representa o elemento água e sua característica é nos dar a possibilidade de interagir com os outros seres humanos na sociedade. É ele que nos permite relacionarmos corretamente. Se encarrega de trabalhar nossas emoções. Liga-se ao segundo chackra.













Amor pronfundo.

11 de maio de 2011

A questão da loucura

Permitam-me divagar um pouco sobre a loucura.


Já acompanhei esta questão algumas vezes.


Vi pessoas saindo da realidade convencionada.

O que caracteriza-se por loucura a meu ver é a perda da capacidade de retornar a estes paradigmas usuais, de integrar neste contexto que vivemos as descobertas dos estados mais amplos de consciência.

A sua colocação de liberdade como critério é interessante e real. Dharmicamente a loucura estaria na nossa crença no ilusório, na nossa tentativa de nos apegarmos ao mundo e as situações do mundo dando-lhe uma continuidade que na realidade não possui.

Me parece que a percepção da impermanência de tudo é um dos batentes da porta do despertar e o apego a qualquer coisa um dos grilhões mais fortes. Essa falta de liberdade é algo inquietante, profundo.

Trabalho com vários projetos educacionais e a idéia piagetiana que educar é fornecer subsídios para permitir ao ser tornar-se moral e intelectualmente autônomo fica terapêutica dentro dessa abordagem.

Um ser moral e intelectualmente autônomo é então um ser saudável? Alguém um dia me falou a respeito da colocação de certo lama sobre o equívoco de se confundir a mera loucura com algum tipo de iluminação. Creio que esta confusão vem do fato que ambos, o louco e o iluminado, deixaram os limites que lhes foram impostos enquanto entes perceptivos, isto é, ambos conseguiram ir além dos limites perceptivos que lhes foram impostos pelo sistema. A diferença que o louco afundou, apenas saiu desse espectro perceptivo e sem controle algum está a vagar por sensações e percepções confusas não integradas de outros mundos, enquanto o que desperta para a luz consegue de fato ampliar a percepção da realidade, integrando sua experiência num todo complexo, que parecerá por vezes desconexo a quem observa a partir dos paradigmas ainda limitados do que chamamos realidade.

Assim concordo que a semelhança entre a loucura e a iluminação é só aparente, por tratarem-se de estados onde a cognição opera fora das faixas convencionais, mas enquanto na loucura há uma imersão não integrada na totalidade, na iluminação há o atingir de um estado.


Opinião pessoal:

Fora do silêncio, estamos sempre na "falação", tão contaminada de preconceitos, condicionamentos, etc... etc... etc... que a verdade só poderia aparecer nesta lista na forma de computadores desligados, sem mensagens.

Mas dentro dessa "falação", talvez compense dirigir um pouco nossa atenção aos arquétipos místicos, se tentarmos juntar os pedaços, expor claramente que tipo de representação arquetípica o ataman, atma men, anataman, buda, isso ou aquilo, Nossa Senhora da Aparecida, etc... etc... etc... representam.

No fundo, do que se trata?


O que nos une é a pergunta mais difícil de responder, parece que preferimos enfocar as diferenças óbvias que nos distinguem.


Certa professora titular de cadeira de biologia na USP comentava que, vez por outra, obriga pesquisadores briguentos a usarem modelos matemáticos universais ao exporem suas teorias, em especial quando há claras divergências. Diz a mesma que é muito engraçado verificar depois dessa transposição que a briga acadêmica de meses termina quando os beligerantes (que chique...) percebem que estavam falando a mesma coisa...

Devemos avaliar com profundidade a qualidade dos termos que estamos usando e os sentidos efetivos que queremos dar, para evitar esses comuns mal entendidos.

Uma sugestão:

Existem dificuldades emocionais com pessoas que se dispõe a realizar meditação. Digo melhor, existem contra-indicações, existem vivências perigosas.

Gostaria de ouvir dos leitores se já tiveram experiência pessoal com pessoas que de algum modo "pioraram" ou "não toleraram" a meditação.


Este tema é interessante e já tive oportunidade de trabalhar muito com ele.

Todos os trabalhos mais sérios que conheço na linha de auto-desenvolvimento começam por uma reestruturação da psiquê.

Quando alguém se aproxima de um desses caminhos embasados para o auto-conhecimento noto que a escola procurada sempre expõe o (a) neófito (a) a um processo de reavaliação da própria vida e de como está agindo.

Paralelo a isso acontece sempre um trabalho de equilíbrio orgânico e psicológico. Certos exercícios, que noto enfatizarem o equilíbrio nas glândulas endócrinas e uma reavaliação muito similar a proporcionada por uma boa terapia são comuns a vários caminhos que estudei.

Daí que a pessoa só vai ser levada a lidar com estados alterados de consciência quando estas fases preliminares forem de fato trabalhadas.


Ai entra a questão. Meditar.


Encarando meditar como ampliar a sensibilidade ao aqui e agora não creio que existam contra-indicações.

Toda e qualquer psicopatia é antes de mais nada uma interpretação desequilibrada da relação com o aqui e agora. Concorda?

Assim levar o ser a perceber melhor sua relação com o momento pode ter um valor terapêutico imenso. Assim como um organismo doente não pode se alimentar de qualquer coisa como faria um corpo saudável, tendo que se submeter a uma dieta adequada ao tipo de enfermidade que padece e ao tipo de tratamento que está tendo, creio que uma psique muito desequilibrada também pode ser mais instabilizada por certas práticas, que a outros seriam no máximo inócuas.

Estudando a alquimia dos sufis aprendi que temos 3 tipos de alimento, o ar, o alimento sólido/líquido e as impressões.

O ar e os alimentos são óbvios, o que poucos percebem é que tudo que recebemos pelos 5 sentidos nos alimentam também. Esse triângulo de nutrição precisa ser mantido bem equilibrado. Qualquer alteração na qualidade e/ou quantidade de um dos 3 tem que ser compensada. Pranayamas, exercícios respiratórios alteram a entrada do ar em nosso corpo. Realizá-los sem a orientação de um expert é perigoso e pode ser danoso a saúde e ao equilíbrio. Alterar a qualidade das impressões também causa mudanças efetivas na nossa "química" corporal. Creio que a meditação atua diretamente aí, portanto ela pode de fato causar problemas a praticantes já com quadro anterior de desequilíbrio psicológico.

Entretanto sempre que aplicada por alguém experiente acredito ser antes um caminho de cura do que de desequilíbrio.


Paz Profunda!!!


Nuvem que passa

6 de maio de 2011

Sigilos Mágicos

Os sigilos mágicos são de grande importância na magia dogmática (onde o mago não originou os símbolos e rituais), mas não menos importante na magia pragmática (onde os ritos e símbolos são da mente do mago). Austin Osman Spare em seu Zos Kia Cultus modelou o uso de sigilos para um modo mais prático e fácil e não menos potente. O metodo ficou conhecido como sigilizaçao e se tornou um elemento da Magia do Chaos. A utilização de sigilos trabalha de forma em que os símbolos impregnam o inconsciente sem o conhecimento (ou esquecimento) do consciente, fazendo assim seu objetivo alcançado, seja para proteção, ou obtenção de qualquer desejo. Franz Bardon nos deu uma dica valiosa de como acessar esse inconsciente: na fase entre sono e vigília, nós temos a porta do inconsciente aberta e nessa hora podemos impregna-lo com algum desejo, porém, advertia Bardon, que só era possivel desejos para o próprio ser do mago, como elementos de iluminação (superação de defeitos), superação de algumas dificuldades da personalidade, cura, proteção e etc. Mas é obvio que só falou isso para espantar algumas mentes egoístas. A força do sigilo se baseia em algumas caracteristicas tais como, intenção, o quanto fundo impregnado no inconsciente, energia para o sigilo, e esquecimento do desejo/sigilo. Vamos ao que interessa:
Para a realização de sigilização, você deve escrever em algum lugar seu desejo tal como "É minha vontade ser forte" (Segundo Spaire esse ínicio "é minha vontade" se mostrou mais efetivo, mas fica a sua liberdade), procure ser o mais breve possivel e de imprecidivel ser uma frase afirmativa, nada do tipo "não quero ser fraco"... o inconsciente não entende palavras negativas.. e você acabará por obter o efeito inverso. Feito o desejo você agora deverá separar vogais e consoantes ( E E E I O O A A -- M  N N H V T T D F R ). Para um sigilização sonora, tente rearranjar as letras de maneira a formar uma ou duas palavras no máximo, se precisar, deixe de utilizar algumas letras repetidas, contanto que todas as letras tenham sido usadas pelo menos uma vez( FRENHADTOVIM ). Seria mais pertinente cortar letras repetidas e tentar formar uma palavra a partir dai, mas no idioma português isso fica meio difícil. Outra opção seria com a letras repetidas cortadas, faça um desenho/símbolo de modo que não se lembre das letras que foram utilizadas. Depois de ter escolhido o metodo pelo qual vai simbolizar o desejo, você deve manda-lo para o inconsciente, mas como? Simples, fixe ele em sua mente por um tempo, ou se você fez uma palavra como no exemplo repita-a e com a ajuda de um estado de êxtase, buuum, o sigilo será mandado e se fixará no inconsciente. Mas que estado de êxtase? Pra quem ja é bom em meditaçao, podia meditar visualizando o sigilo ou repetindo a palavra como mantra.. mas ainda existem outras alternativas como orgasmo (é, isso mesmo, na hora do orgasmo pense somente no sigilo, intente-o) ou ainda alguma dor aguda. Entenderam? repita o sigilo verbalmente ou mentalmente e depois de certo tempo lance ele pro inconsciente com um êxtase. Feito todo esse processo, jogue o papel, ou qualquer coisa em que você fez o sigilo, fora e espere se concretizar. A dificuldade maior é deixar de associar os sigilos aos desejos, e nisso que a maioria das pessoas falham, então outra dica seria você fazer uma quantidade X de sigilos (o suficiente para que eles fiquem confusos na sua mente e você não consiga associar qual sigilo é de qual desejo) e depois de algums dias pegue um e mande-o mente adentro. Mas você é livre pra criar em cima da premissa básica, mandar um símbolo no qual seu consciente não faz ideia do que seja, mas seu inconsciente saiba muito bem o que significa e internaliza-lo lá dentro. Bons sonhos.

4 de maio de 2011

Espreitar

A arte de espreitar é aprender todas as peculiaridades de teu disfarce, e aprende-las tão bem que ninguém saiba que estás disfarçado. Para consegui-lo, necessitas ser desapiedado, astuto, paciente e gentil . Ser implacável não significa aspereza, a astúcia não significa crueldade, ser paciente não significa negligência e ser gentil não significa ser estúpido. Os guerreiros atuam com um propósito ulterior, que não tem nada a ver com o interesse pessoal. O homem comum atua apenas se há possibilida de ganância. Os guerreiros não atuam por ganância e sim pelo espírito.

Citações extraídas do livro O Poder do Silêncio, de Carlos Castaneda

3 de maio de 2011

Porta para o Infinito



Castañeda, agora um homem misterioso e inacessível, relata as últimas lições aprendidas com o índio Dom Juan. 



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Viagem a Ixtlan



Viagem a Ixtlan relata com clareza e contundência todos os passos do seu longo aprendizado como brujo, entregando ao leitor as chaves para o mundo de dom Juan. As lições, os exercícios, as técnicas, as provas, os assustadores confrontos e visões no alto das montanhas - tudo o que foi necessário para que Castaneda se tornasse um autêntico caçador.



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Uma Estranha Realidade



Uma Estranha Realidade

Após A Erva do Diabo, Carlos Castaneda dá continuidade ao relato de suas experiências com o índio yaqui dom Juan Matus em Uma Estranha Realidade. Com o intuito de pesquisar sobre ervas medicinais, o jovem estudante de antropologia vai para o México, onde reencontra o poderoso feiticeiro. Guiado pela mente desse excêntrico bruxo. Pela ingestão de alucinógenos, especialmente o peiote, ele era levado a estados de ´realidade não comum´ ou, segundo os feiticeiros, aspectos concretos da vida cotidiana que lhe permitiam ver o mundo de uma maneira diferente, percebendo toda a sua essência.
 
 
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A Erva do Diabo



A Erva do Diabo: Os Ensinamentos de Dom Juan

A erva do diabo é a história dos cinco anos que Carlos Castaneda passou ao lado do índio yaqui dom Juan, em Sonora, no México. Estudante de Antropologia da Universidade da Califórnia, Castaneda buscava informações para uma pesquisa de campo sobre ervas psicotrópicas utilizadas pelos antigos xamãs quando travou seu primeiro contato com o velho feiticeiro.



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2 de maio de 2011

Premissas do Caminho do Guerreiro

Um texto que achei excelente, os creditos seguem no final.




Conferência de Taisha Abelar (Janeiro de 1994)
(Estas são notas de uma conferência pública de Taisha Abelar dada em Menlo Park, Califórnia em 7 de janeiro de 1994. Estas notas não são de domínio público; podem ser distribuídas a pessoas interessadas em Castaneda, Abelar ou Donner, porém , por favor, não as envie para algum periódico ou boletim, nem publiquem-nas em nenhuma revista, etc . Por favor , respeitem o estilo de Abelar, Castaneda e etc. , o qual parece estar baseado em uma exibição pública limitada.)

A conferência desta noite é sobre "parar". Para "parar" necessitamos fazer apenas uma coisa: decidir ser um guerreiro ou não.
O ponto de aglutinação flutua naturalmente ao dormir. Também se move sob a influência de drogas, meditação profunda, fome, privação sensorial.
O ponto de aglutinação situa-se atrás de vocês, na altura das omoplatas.
Os feiticeiros usam a disciplina para mover seus pontos de aglutinação.
Qualquer um de nós pode ver a energia, inclusive agora, porém podemos não estar imediatamente conscientes disso. As crianças pequenas, por outro lado, percebem energia diretamente. De todas as formas quando são maiores, os "acomodadores" (adultos) os introduzem no mundo da realidade ordinária. Em lugar de ver energia sem forma, uma criança um dia perceberá a configuração energética na forma de uma mesa, um cão, uma árvore, etc.
Assim a percepção pura da criança é moldada pelos "acomodadores".
Primeiro e antes de mais nada vivemos num mundo de energia. Apenas secundariamente vivemos em um mundo de objetos. A posição do ponto de aglutinação determina a realidade que perceberemos.
Os bruxos (presumivelmente de forma diferente dos artistas da fome ou da privação sensorial - faquires) buscam fixar o ponto de aglutinação em uma nova posição (e não apenas movê-lo) para aglutinar energia outra vez em uma nova série de "objetos" e , portanto, em uma nova realidade.
Este mundo não é tão importante como pensamos que é. Nossa linguagem é parcial; chamamos de realidade quando é apenas uma das tantas posições do ponto de aglutinação. Para a nossa conveniência vamos nos referir a ela como realidade ordinária.
Geralmente, assim que os acomodadores façam seu trabalho de ajudar-nos a perceber as variadas configurações de energia como objetos, o ponto de aglutinação fica fixo e não move-se mais depois.
Estamos obrigados a ficar identificados com o mundo da vida diária até a nossa morte.
E quanto a morte, do ponto de vista dos bruxos, não é o rápido processo que parece ser. O brilho do ponto de aglutinação diminui rapidamente, porém todas as fibras energéticas que compõe o ovo energético do ser humano podem levar um bom tempo para dispersar-se. O processo também pode ser demorado, por exemplo, se alguém é enterrado em um ataúde de chumbo logo após morrer.
A alternativa a estar preso por toda a vida em uma posição do ponto de aglutinação é move-lo mediante a prática da disciplina e logo fixá-lo em uma nova posição enquanto estamos conscientes.
Um fundamento firme no caminho do guerreiro é o que se requer para a difícil tarefa de "parar" e "sonhar".
Disciplina não é a mesma coisa que a praticada por mulheres católicas em um convento. Nem a mesma coisa que a que é usada como prática pelas monjas. Não é levantar-se cedo para fazer aeróbica antes de ir para o trabalho ou comer prudentemente . Isso são apenas rotinas, hábitos, não a disciplina do guerreiro.
Desde o ponto de vista de um guerreiro, espreitador ou sonhador, a disciplina é algo abstrato. É estar vinculado inquebrantavelmente a um propósito. Assim que a atual implementação da disciplina é muito flexível e fluida. Requer coragem de aço. Não há lugar para dúvidas e vacilação, os quais de outro lado nos colocam atrás, no mundo de todos os dias de justificativas e autopiedade.
A disciplina conduz a harmonia, ao bem-estar e ao equilíbrio. A vida diária, por outro lado, é feita de negligência e indulgência.
Um propósito inquebrantável e inflexível é o que se requer para a disciplina em nossa busca pela liberdade.
Na conferência recente da livraria Fênix alguns de vocês estiveram ali - Carlos Castaneda deu uma palestra sobre o caminho do guerreiro.
Não podem aprender a ser guerreiros!
É apenas uma decisão que tem que tomar um dia vocês mesmos e por conta própria. Pedir a alguém que lhes ensine como ser um guerreiro é uma abordagem errônea . É a abordagem de "eu sou um pobre coitado".
Carlos Castaneda disse que primeiro e antes de mais nada, o evento transformante na vida de um guerreiro, a base para chegar a ser um guerreiro, é aceitar a responsabilidade da própria morte. Esta é a linha de partida. Não assumam que são imortais .
Encarem o infinito e a morte no espelho através da noite!
Apenas fazendo isto, tomando a morte como uma conselheira desta maneira, muitas coisas cairão por terra, muitas coisas desaparecerão em vocês.
Assumam a responsabilidade de sua percepção do mundo. Não apenas a simples percepção na qual nasceram . Em lugar de intentar o movimento de seus pontos de aglutinação a outras áreas do ovo luminoso, se ajustam o seu próprio cinto (!), se cortam o supérfluo em suas vidas, o ponto de aglutinação se deslocará por conta própria sem ajuda de rotinas ou exercícios por parte de vocês. A lâmpada da consciência, brilhará forte quando cortarmos o excesso de bagagem que carregamos (preocupações, autopiedade, etc), brilhará sobre todas as outras possíveis posições do ponto de aglutinação.
A segunda regra para ser um guerreiro é pagar suas dívidas. Um guerreiro é muito generoso. Ele ou ela não olha o mundo em termos do que as outras pessoas lhe devem. O guerreiro olha o mundo em termos de oportunidades para saldar suas dívidas com outras pessoas e assim não estar completamente atado para sempre.
Isto de pagar as dívidas conduz a um afeto imparcial por todas as coisas. Muito do que consideramos afeto é comércio de favores com outras pessoas. O guerreiro, por outro lado, dá afeto sem esperança de devolução. Não que o guerreiro esteja tratando de eliminar o afeto ou ser uma pessoa insensível . O afeto do guerreiro é tão imparcial que se libera das relações de todos os dias. O afeto do guerreiro é tão imparcial que se o guerreiro vai a outra realidade completamente diferente desta, seu afeto estende-se à todos os outros novos seres que existam nessa realidade.
Se alguém realmente nos feriu, isto também necessita ser devolvido. O conceito de pagar as dívidas não é uma idéia sentimental, limitado a corresponder as boas relações. O ponto é liberar-se de todas as relações. Se estão apegados a alguém que os feriu, podem necessitar desligar-se dessa relação devolvendo o dano. Assim não é uma questão moral; é uma via de mão dupla .
O sendeiro do guerreiro é uma escotilha de escape, um lugar onde se pode ir depois de ter desmantelado sua vida diária. Não há lugar para o medo, para a indulgência (pena de si , para a culpa ou a nostalgia quando se está rumando para o desconhecido.
Uma determinação inquebrantável é o único caminho que podem tomar ou lhes acontecerão coisas terríveis uma vez que tenham acumulado suficiente energia (mediante o uso da morte como conselheira para cortar o excesso de bagagem).
Não podem estar meio dispostos ou com apenas parte de sua energia pois lhes acontecerá coisas piores (antes não tivessem enveredado por esse caminho) .
Recuperem a energia usada para sustentar o mundo da vida diária. O mundo da vida diária é um edifício gigantesco, porém apóia-se apenas sobre três pilares:
1 - Como nos apresentamos ao mundo . Como nos encaixamos na estrutura da ordem social. A recapitulação nos permite pensar em tudo isto; como nos encaixamos é um espelho de como os outros nos vêem em suas esperanças e temores. Tudo isto requer ENERGIA. O guerreiro em transformação nota que ele ou ela está de cara com a morte e então percebe que conduta e que intensidade é apropriada sob esta luz .
O segundo pilar é nossa necessidade biológica de encontrar um par e nos reproduzirmos. Somos animais sociais. Os bruxos dizem "deixem que outros o façam". Os bruxos necessitam da energia para parar com a dança social e a necessidade biológica para alcançar a Liberdade. Nós não queremos ser a flor que floresce e morre para propagar a espécie. A segurança da família é uma das mais fortes atrações da ordem social. Existe um tremendo medo a estar só, a morrer só. Os bruxos tem que aprender a estar sós, por longos períodos. Esse é o motivo pelo qual Don Juan sempre nos provou deixando-nos sós, por nossa conta, para ver como manejamos a solidão. Porque temos tanto medo de não ver filmes, não ter amigos? É também muito importante aprender a ter silêncio mental, solidão mental, por longos períodos. O mundo então irá colapsar por si mesmo sem o diálogo interno! Sonhar também é muito solitário, encarando os perigos no mundo dos sonhos sozinhos.
Estamos falando acerca de "parar" esta noite e de ter que usar a solidão. Como mulheres, nós não queremos ser uma solteirona, uma amarga solteirona, com um lunar (?) e costeletas nas bochechas (?). Nós aprendemos essas coisas, a necessidade de ser formosas para apanhar um bom marido e temos fundado a indústria cosmética inteira com nossos medos e preocupações. Na recapitulação temos uma chance para ver isto e buscar alternativas.
O caminho do guerreiro (é não ser apanhado no imperativo biológico de formar um par e na dança social motivada pela solidão) é uma transformação que envolve uma afeto sem limites. Não contar o número de romances que temos ou estar em uma relação e sonhar com alternativas que seriam inclusive melhores para nós. O afeto do guerreiro transcende tanto a ordem social que o guerreiro pode mover-se a outra posição do ponto de aglutinação, inclusive um universo desconhecido, e estar todavia cheio de afeto. Assim não tenham medo de fazer em pedaços esse segundo pilar da realidade diária, pois se o fazem não vão deixar afeto ou sentimento algum .
3 - O terceiro pilar da realidade diária é muito sutil; é a importância pessoal. Nós brincamos a respeito de colar um adesivo(?): "a importância pessoal mata", por que o falso sentido de importância pessoal nos mina, é uma grande causa de suicídio, sem mencionar que nos tira o prazer de viver. Qualquer um manifesta a importância pessoal de uma maneira ou de outra, seja querendo ser o melhor em algo ou querendo se fazer de mártir ou sendo o pior - a síndrome do "usa meus ossos como degraus para tua própria glória". Não substituam a falsa humildade ou a falsa modéstia pelo orgulho de sua importância pessoal.
Uma coisa importante para dar-se conta é que vocês não são mais nem menos importantes que qualquer coisa viva. Para dizer de outra forma, somos como formigas em um formigueiro, levando sua carga especialmente grande e pensando que é a mais importante, a melhor, quando em um momento alguém pode pisar nessas formiga e suas companheiras e todas elas serão iguais em sua morte. Algo vai pisar em todos nós algum dia da mesma maneira. Todos somos iguais e a importância pessoal não é nada, exceto um prêmio da ordem social da realidade diária, como droga destilada dentro de seus cérebros para mantê-los escravos da ordem social. É melhor mudar, tomem sua energia agora mesmo e rumem em direção a Liberdade.
O "seletor" (o espírito) é um simples modelo mecânico de uma agulha apontando em uma certa direção e nós alinhamos nossa configuração energética em uma nova posição do ponto de aglutinação. O seletor faz tudo por vocês se tiverem energia suficiente, traz certas coisas do universo para vocês. Uma vez que tenham restaurado sua energia mediante a recapitulação não há necessidade de cânticos ou rituais especiais para mover o ponto de aglutinação. Para onde, como ou porque o seletor move o ponto de aglutinação nós não sabemos; tudo o que podemos fazer é acompanhar o movimento e atuar impecavelmente sob a pressão do "seletor".
A espreita: Eu e os espreitadores em geral usamos a conduta para mover o ponto de aglutinação, para criar um máximo de dissonância cognitiva. Não se pode eleger para onde mover o ponto quando se está vivendo como espreitador, porque se elegem não vão ter suficiente dissonância cognitiva entre a velha e a nova posição. Este é o motivo pelo qual os guerreiros estão sob tremendas pressões, porque o "seletor"- ou o Espírito - elege difíceis novas posições, que são tão atemorizantes ou diferentes que as vezes o ponto de aglutinação de um guerreiro, quando está sujeito a pressão para mover-se, começa a vibrar no lugar devido; isto se pode ver energeticamente. Se o guerreiro cai em lapsos de diálogo interno sobre o que deve fazer então o ponto de aglutinação acaba voltando a posição usual.
Toma uma tremenda pressão mover o ponto de aglutinação e o que necessitamos é manter a pressão alta; porém deverá ser uma pressão harmoniosa ou poderemos ficar loucos. Uma vez que tenham energia suficiente e intento inflexível o ponto se deslocará muito facilmente e sem problemas, e depois que tenham feito a recapitulação, o ponto de aglutinação se moverá sem que nos demos conta disso.
Eu tive certas tarefas eleitas para mim pelo seletor. Tive que viver completamente como diferentes pessoas. Isto não era apenas atuar durante o dia ou sendo consciente de que estava atuando. Era uma completa imersão em um novo ser, as 24 horas do dia. Torna-se uma nova pessoa.
Deixe-me ser Sheila Waters para vocês (ela pôs uma peruca e lentes). Tenho que usar lentes quando sou Sheila Waters.
Sheila Waters foi apontada para mim pelo seletor (o Espírito ou como queiram chamá-lo). Tive que chegar a ser uma mulher de negócios, obter um MBA, licença legal do Estado, investimentos, manter relações de negócios com empresários, contadores e todo tipo de gente do mundo dos negócios. Tive que fazer muitas coisas, fiz e perdi fortunas. Porque quando estamos nessa posição existe uma natural tendência a buscar o êxito, não fracassar, tão natural é a tendência a fazer montanhas de dinheiro, e não penas manter ou perder dinheiro. Se alguém não atua impecavelmente é fácil perder dinheiro por não escutar a própria voz interna. Decidi que tinha que possuir uma madeireira muito grande no norte e foi realmente uma grande empresa, perfeita em todos os aspectos, exceto por estar perto de MT. St. Helena e quando o vulcão entrou em erupção tudo perdeu-se.
Outras pessoas (tirou a lente e a peruca): no México estive sob a supervisão de Emilito. Ele foi mais um espectador ou um guardião que um mestre. Não interferia para nada nos cenários que o seletor elegia para mim.
Foi Ricky, a primeira posição eleita para mim, um gringo americano machão, fazendo-se passar por um mexicano. Vesti roupas de homem, passei por homem e tive romances com uma dama e até cheguei a usar banheiros masculinos. Não me peçam para que lhes conte o que tive que fazer para usar banheiros masculinos. Vou relatar em meu próximo livro: "A Espreita e o duplo".
A segunda posição eleita por mim foi uma mulher ingênua do Texas, sobrinha de umas mulheres mexicanas, que em realidade eram supostamente feiticeiras do grupo de Don Juan. Tinha o cabelo rubro e me encontrava nas esquinas esperando atrair aos homens à essa condição virginal , pois eu atuava como uma virgem e meu cabelo chamava muito a atenção.
É essencial ser absolutamente fluido. Esse é o ponto de todos os exercícios de não-fazer, assim podemos ser absolutamente fluidos e quando o seletor mover seus pontos de aglutinação terão a disciplina necessária para poder fixa-lo na nova posição.
Não podem agir como cínicos manipuladores da conduta. Tem que ser real para vocês, absolutamente real.
Depois fui uma mendiga louca, sentada nas escadarias das igrejas, atacadas por pulgas e mosquitos o dia inteiro. E mesmo sendo alérgica a picaduras em meu papel de mendiga louca não me cuidava e ninguém me incomodava. Eu era uma mendiga louca e desleixada. Ficava ali todo o tempo, vendo o mundo passar e ninguém me notava.
Para concluir, nada é real, apenas uma manipulação da conduta, apenas um resultado da fixação acidental do ponto de aglutinação no nascimento. Isto é o que os espreitadores aprendem ao serem tantas pessoas diferentes. Cada posição é igualmente real e, portanto, igualmente fantasma Nós apreciamos nossas posições presentes, porém mesmo as mais reais são apenas fantasmas quando se movem o ponto de aglutinação.
Toma anos de recapitulação solapar o sentido da realidade. Ao mesmo tempo tive que substituir a realidade com o caminho do guerreiro para evitar a armadilha do cinismo. Mudar nossa forma de responder, reagir ao mundo dentro da arte da loucura controlada, a delícia do guerreiro.
Se temos energia, todas as coisas que o Espírito põe ao seu redor tornam-se eventos de beleza e força. No mais alto sentido suas vidas tornam-se prenhes da arte de viver.
Recordem que vocês já estão mortos, são fantasmas como qualquer outra coisa . Percam o sentido da importância pessoal.
Saibam, mas além da sombra da dúvida, que nada é real .
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Perguntas e respostas (as perguntas eram inaudíveis no jardim) :
Depois da recapitulação e do não-fazer, então, poderão Ver.
Mover-se dentro de outra banda (alinhamento) do ovo luminoso é como morrer, porque o brilho da consciência do mundo diário terá ido embora. A consciência estará todavia com vocês, porém estarão percebendo uma realidade diferente. Para a realidade ordinária vocês já encontrar-se-ão mortos.
Existem semelhanças entre as teorias de acunpuntura chinesa e as descrições dos bruxos quanto ao corpo energético. Se desenham os principais meridianos, eles formam um ovo igual ao que os bruxos descrevem. Também a teoria chinesa diz que nascemos com uma quantidade limitada de energia intrínseca, a mesma visão dos bruxos.
Também algumas pessoas nascem energeticamente mais poderosas que outras. Por exemplo, se os pais são fortes energeticamente e o bebê é criado com leite materno. Porém não se preocupem se não nasceram com uma especial abundância de energia, se formos cuidadosos com nossa energia teremos tudo o que é preciso. Também podem receber sacudidas extras quando movem o ponto de aglutinação. Precisamos apenas ser disciplinados na guarda de nossa energia.
Nietzsche dizia que qualquer coisa que não nos mata me fortalece. Esta é a forma que os bruxos pensam. Por outro lado cuidem-se dos filósofos, pois são famosos loucos auto-indulgentes.
Sobre a recapitulação não há um método, Existe um método, porém não é importante se movem a cabeça num sentido ou no outro ou se estabelecem um tempo regular ou um montão de tempo . O importante é o intento inflexível para recapitular , depois o Espírito os guiará dentro da forma correta tanto com relação a forma correra quanto ao tempo ou a quantidade de práticas . Com o intento o tempo se estabelece por si mesmo . Quando tenham o intento correto vão ter 27 gerações de bruxos por trás de vocês.
1 - Intentem.
2 - Façam com integridade. Não se vangloriem ou comparem-se com outros . A competição é a pior coisa do mundo. É o suporte primário para terceiro pilar da realidade diária, o sentido de auto-importância pessoal.
3 - Disciplina, ordem, harmonia. Não deixem tudo à sorte, ao menos intentem. A maioria das pessoas faz uma lista e seguem atrás.
Respirem. A direção não é importante, o importante é usar a recapitulação para trazer a energia.
Uma carta enviada a Carlos Castaneda dizia : " Recapitulei durante a noite, posso unir-me a seu grupo agora?
A recapitulação toma toda uma vida. Não se faz em uma noite.