1 de maio de 2011

Magia, Xamanismo e Bruxaria - Caminhos Naturais

Temos trabalhado nessa coluna sobre xamanismo, bruxaria e magia. Sob vários aspectos estive partilhando algumas reflexões sobre questões que envolvem estes caminhos.

São caminhos amplos, caminhos que envolvem tradições ancestrais, tradições que surgiram como resultado do trabalho dedicado e do estudo sistemático da realidade, por parte de gerações incontáveis de praticantes.

Existem muitas vertentes que se denominam com estes termos, o que exige do (a) buscador (a) sincero (a) muita atenção, pois existe a "Tradição" e existem também muitos "achismos" sobre o que é a TRADIÇÃO, existem ramos deste conhecimento que vem da mais remota ancestralidade, mas existem também ramos bem recentes destes conhecimentos, nascidos do trabalho de pessoas que se interessaram pelo tema, mas ao invés de manter o Saber da Tradição o impregnaram de seus (pré) conceitos.

Há também o (a) iniciado(a) que recebeu conhecimento e energia de uma Tradição e existem aquelas pessoas que se arvoram em herdeiros (as) apenas para fazer desses caminhos campo para seus egotismos, campo para suas idiossincrasias pessoais.

É fácil reconhecer pessoas assim, estão sempre numa atitude proselitista, sempre querendo provar que "seu" caminho é "superior” e tem nos títulos e graus iniciáticos nítida razão para vangloriar-se e se mostrar, deixando óbvio que a iniciação não resolveu nada em sua realidade existencial, apenas serviu para ampliar a vaidade.

Muitas pessoas vão ao poder sem trabalhar a vaidade pessoal, impérios inteiros caíram no passado devido a isso, o mergulho no além, no transcendente sem antes resolver o imanente, o aqui e agora.

Existem muitas tradições e propostas que se apresentam sob essas denominações, é importante frisar que as colocações que faço nestes artigos aqui se referem aos caminhos telúricos, caminhos cuja sintonia com a TERRA enquanto ser vivo e consciente é fundamental.

O ser humano foi se afastando da Terra enquanto ser vivo no seu caminho através do tempo, vamos observar que com o advento da agricultura e das cidades leva as pessoas a terem um ritmo diferente, embora ainda ligado aos ciclos da natureza.

Entretanto, com a ação da Igreja Românica perseguindo as tradições ancestrais dos povos sob seu poder e o advento da era industrial há um rompimento com a percepção dos ciclos naturais e os seres em sua maioria passam a viver em ritmos completamente artificiais, cada vez mais isolados da Natureza.

Portanto, caminhos telúricos exigem todo um trabalho de reconexão por parte de quem foi criado no ritmo da cidade e da industria.

A proposta do Xamanismo, da Magia e da Bruxaria em seus aspectos telúricos diferem um pouco de quem trabalha em cima de uma tradição voltada a seguir preceitos prontos.

Estes caminhos telúricos valorizam a prática, efetiva, estão ligados a uma sintonia efetiva entre quem pratica e os ciclos e forças da natureza, não há adoração de forças ou seres.


Não há projeção de um “pai/mãe” psicológico aqui, há uma clara proposta de compreender entes e poderes como forças impessoais, sem projetar nossos medos (quando transformamos esses seres em demônios) nem projetar nossas carências (quando transformamos esses seres em "anjos"), a proposta é perceber que tais entes são o que são, energia consciente alienígena, com as quais podemos entrar em contato, desde que saibamos o que estamos fazendo.

Nestes caminhos, ritualizar num Solstício, trabalhar com o Sol, não é adorar forças, mas elaborar uma teia de ressonância para estas forças que passam por estes momentos, de poder, como o Solstício, é saber que somos parte do Sol e que ritualizar é reatualizar o mito em nós.

Uma xamã que conheço insiste sempre, quando um (a) praticante destes caminhos se ajoelha na Terra está se "aninhando" no seio de sua mãe, nunca "implorando" ou "subjugando-se' para adorar uma força externa.

Nestas linhas estamos trabalhando com a sensibilidade da pessoa, nestas linhas cada rito, cada celebração acontece em sintonia com as forças da Natureza e suas manifestações.

Somos parte da Natureza, a Natureza nos criou para desempenharmos um papel muito específico num amplo contexto, como enzimas num organismo cósmico nosso existir está em harmonia com o existir da Terra, da Vida e de seus ciclos.

O que chamamos de emoção e raciocínio, estas duas formas que temos de reagir a realidade circundante, não nasce em nós, para estes caminhos fica claro, após as práticas de auto-observação, que as emoções e as racionalizações acontecem em nosso campo emocional e mental, mas não "nascem" em nós.

Assim como nosso código genético, assim como os "karmas", as emoções e raciocínios que reproduzimos vêm sendo elaborados pelos organismos há eras, com finalidades que vão além de nossa compreensão racional.

Este é o primeiro trabalho que uma escola iniciática propõe ao(a) neófito(a) : Aprender sobre si mesmo(a), diferenciar o que fizeram de nós, daquilo que somos em essência, uma essência perceptiva que pode ir além das programações recebidas e originar um ser livre, que nasce de si, para si, num contexto distinto daquele que originalmente nascemos.

Podemos ir além do mero emocionar e aprender a SENTIR, podemos ir além do mero raciocinar e aprender a PENSAR, podemos ir além do mero reagir e aprender a AGIR, mas isto exige dedicação, disciplina, trabalho árduo, pois não temos "tendência" a isto e sim a nos acomodarmos.

Por isso percebemos que todo trabalho iniciático, quando profundo e não apenas formal, tem a fase da morte para a antiga vida e do renascimento para um novo ciclo.

O ser que nasceu dentro deste contexto que chamamos realidade, tem um script pronto, um papel a desempenhar na realidade da vida.

Energias que vem dos planetas e de outras realidades passam por nós e nós as elaboramos para que sejam absorvidas pela Terra, por isso considero a analogia com enzimas perfeita para nossa condição.

Somos metabolizadores de energias diversas no sentido da Eternidade para a TERRA e da TERRA para a ETERNIDADE, daí me parece a origem dos ritos telúricos, momentos nos quais praticamos de forma consciente este nosso papel de elaboradores de energias diversas.

Mas quando queremos ir além disso, quando queremos ir além dessa vida "programada" então surge o caminho iniciático, que nos leva ao confronto com realidades que muitas vezes deixamos de lado.

Este aspecto é bem sutil, há diferenças entre as práticas da Magia, da Bruxaria e do Xamanismo que colocam o ser humano em sintonia com a realidade a sua volta, que permitem ao papel de "enzima" acontecer, os ritos de sintonia com a mudança das estações, com as fases da Lua, enfim vários ritos podem ser praticados , sem que isto signifique uma mudança profunda de consciência.

Gurdjieff diz que temos amortecedores, crenças e posturas existenciais que atenuam ou mesmo afastam nossa percepção de certas realidades existenciais, são as abordagens que herdamos das religiões e de certas filosofias de vida , que servem para "apaziguar" a percepção da realidade, as abordagens "consoladoras".

Assim vamos encontrar muitos caminhos que se denominam "xamânicos", "bruxos" , "mágicos" mas que estão totalmente dentro dos paradigmas dos cultos oficiais, onde as mesmas idéias de "papai do céu" , "pecado" , “culpa" e outros conceitos que são a base das religiões oficiais, são adotados apenas com nomes diferentes, mas expressam as mesmas crenças.

O Xamanismo, a Bruxaria e a Magia são abordagens pragmáticas da realidade, não oferecem consolo, ao contrário, começam o trabalho por vezes doloroso, mas necessário, de desmontar todos os "amortecedores", as explicações que nos deram e as quais aceitamos sobre nossa própria realidade e a realidade a nossa volta.

Estes caminhos são caminhos naturais, ou seja, não valorizam demais a mente racional, pois consideram que mente racional é fruto de uma série de convenções, explicar a realidade é usar palavras e as palavras têm limites.

A palavra é fantástica, tem um poder tremendo, estamos nos comunicando aqui graças à palavra, mas ela tem limites, ela possui fronteiras além das quais não funciona, pois a sintaxe de nossa linguagem é convencionada, vem da memória, dos códigos já apreendidos e o novo, o além da realidade não pode ser expresso com base no já vivido.

Por isto o "silêncio" é tido como o grande revelador, a forma mais sofisticada de conhecimento vem , não da mente racional, mas de um estado de insight que brota a partir de práticas que a este estado alterado de consciência conduzem.

Assim o Xamanismo, a Magia e a Bruxaria tem sua base em práticas, em estruturas de conhecimento que permitem uma participação efetiva do (a) aprendiz em seus caminhos, é considerado conhecimento nestes caminhos o que praticamos, só falar teoricamente de algo quer dizer muito pouco.

Esta crença exagerada na palavra é um atributo desta civilização na qual estamos, vejam que há um "livro sagrado", a “palavra de Deus" e tal. Em caminhos profundos como o Zen, o Taoísmo e outros se tem a mesma percepção que o Xamanismo, a Bruxaria e a Magia, palavras aludem, mas não revelam, a experiência do transcendente precisa ser "vivida" diretamente, as palavras podem explicar um pouco, depois, mas a vivência direta é no "silêncio".

No Xamanismo, na Bruxaria e na Magia a Tradição está contida em ritos e práticas e conhecimentos que restabelecem a sintonia do ser humano com a VIDA, com a NATUREZA, com a TERRA enquanto ser vivo e consciente.

Acreditamos que durante a existência da humanidade fomos contactados por diferentes tipos de seres.

Muitos ramos de magia colocaram esses seres como "Deuses e Deusas" , "Anjos" e também "demônios" quando considerados "inimigos" .

Na Magia, Xamanismo e Bruxaria que estudamos aqui há a plena consciência que vivemos num universo predador, um universo que luta pela consciência e energia.

Assim procuramos evitar posturas de adoração em relação a estas forças e seres, mesmo que alguns deles estejam para nós como uma estrela está para uma vela, ainda assim, são seres, com ciclos de vida incontáveis, mas que nascem e morrem, como nós.

O ser humano vivendo na cidade e longe da natureza pode alimentar algumas fantasias sobre a realidade que não resistiriam se estivéssemos numa mata, numa floresta.

Quando estamos sós numa floresta ficamos agudamente conscientes que estamos entregues a nossas habilidades, ninguém vai nos "proteger".

Da mesma forma, soltos na Eternidade, visitando outros mundos, quando deixamos os mundos da ilusão, os mundos que não geram energia em si mas apenas foram projetados pela força de comunidades ancestrais, vamos encontrar mundos diversos, com seres diversos, com sua própria realidade, realidade que corresponde a seus próprios interesses.

NÃo há "guias protetores" , ou "anjos" bondosos para a concepção do Xamanismo, da Magia e da Bruxaria que estudamos aqui, podemos estabelecer relações de simbiose e mutualismo com seres de outras realidades, mas com todo foco e atenção do contrário estaremos correndo riscos tremendos de nos colocarmos a mercê de forças e seres com seus próprios interesses .

O Xamanismo, a Magia e a Bruxaria que estamos estudando aqui não colocam o ser humano como "ápice" da Criação, aliás a própria idéia de criação é questionada, como já discutimos em artigo anterior, trabalhamos com a idéia de "emanação", fomos emanados, nós e toda a existência, da "Não-Existência" e esta emanação realiza e revela na própria ETERNIDADE algo sobre ELA mesma.

Assim, no trabalho mais profundo e iniciático desses caminhos não temos uma abordagem antropocêntrica da realidade, não vemos entidades apenas com forma humana, nem reduzimos a realidade aos limites da percepção humana, mas procuramos, justamente, desenvolver nossa habilidade de mergulharmos no "não humano", no além do humano, algo que só é possível depois de realizarmos plenamente nossa humanidade, pois para irmos além do humano precisamos antes conhecer o humano, de fato, não nesta postura muitas vezes insossa e alienada que nos é imposta.

Expandir a consciência exige que tenhamos consciência, trabalhar a VONTADE é algo que exige trabalho, capacidade de sair da mera "reação" para irmos a "ação", por isto a auto-observação é fundamental para reunirmos informações sobre o que somos de fato, sobre o que fizeram de nós e então termos a coragem de abandonar o já marcado caminho que nos está destinado para ousar o novo, o impensado.

Então deixamos de "sobreviver" e começamos a viver, algo raro em nossos dias de pessoas que seguem e se alienam de si mesmas.

É um desafio que vale a pena, entretanto.
Nuvem que passa
   



Sexualidade e Xamanismo

"Se os guerreiros desejam ter energia suficiente para ver, devem tornar-se avaros com sua energia sexual. Essa foi a lição que o nagual Julian nos deu. Empurrou-nos para o desconhecido e todos nós quase morremos. Como cada um de nós desejava ver, naturalmente nos abstivemos de desperdiçar nosso brilho da consciência - O Fogo Interior, de Carlos Castaneda."
Vou me atrever a dar alguns palpites nesta questão toda que está sendo levantada sobre sexualidade, especialmente porque estão falando de xamanismo junto e creio que é interessante deixar bem claro alguns pontos.
Em primeiro lugar a obra do Doutor Carlos Castaneda é de fato notável, admirável, revolucionária, revela mesmo uma linha cultural que esteve ausente da história por todo esse tempo, é de tal forma nova e inusitada que no meio acadêmico formal é bastante rejeitada, é considerada ficção e não antropologia.
CC. se tornou praticante do caminho que investigava e graças a isso nos dá uma informação muito mais rica que se fosse apenas um cientista social investigando "de fora" um outro contexto.
Eu, pessoalmente, admiro a obra de CC por ter encontrado em outras fontes ensinamentos similares e ter comprovado por mim mesmo, em meu corpo e experiências pessoais, grande parte das assertivas ali levantadas, tendo conhecido a obra depois destas experiências pessoais.
Considero que a obra permite uma nova terminologia para muito do que é experimentado nas vivências xamânicas.
Pra mim ler a obra foi como ter vivido com um povo e não ter como contar a maior parte do que aprendi por nào ter termos para tal narrar e então encontrar alguém, que tendo vivido eventos semelhantes, foi ainda capaz de criar um vocabulário para expressar os novos paradigmas que aprendeu.

Mas o xamanismo não é apenas esse caminho que ele revela, há outras linhagens de xamanismo e há outras abordagens da realidade que também são xamânicas e que tem outras abordagens do tema.

Eu nem ia entrar nesse tema, creio que toda racionalização sobre sexo é meio equivocada e escrever é sempre racionalizar. No Taoísmo existem os famosos conselhos da "Dama Misteriosa" ao Imperador Amarelo e um deles é: "evite toda racionalização sobre sexo". Mas se o lado escorpiano vai por aí, a lua em Gêmeos dá aquela incentivada no "palpiteiro" então aí vai.

Creio que o primeiro problema aqui é que as propostas que Castaneda e seu grupo recebem das pessoas com as quais aprendem não são "leis", nem mesmo "normas" para todos(as).

Fico impressionado como existe esta tendência de tornar um conhecimento altamente específico, destinado a praticantes formais em regras gerais para todos(as).
Se lermos a obra no devido contexto vamos notar que D. Juan Matus (que tinha diferentes nomes para cada aprendiz) nunca esteve interessado em "divulgar seu conhecimento" ou fazer qualquer tipo de proselitismo. Seu único objetivo era manter a linhagem, manter seu clã e para tal deveria encontrar pessoas com determinado "padrão" de energia e transmitir-lhes sua ARTE/CIÊNCIA, tudo para que estas pessoas um dia encontrassem outras e fizessem o mesmo e o elo não fosse rompido e a TRADIÇÃO, continue mantida, como vem sendo há tempos incontáveis.
Isto é muito difícil de entender neste mundo onde somos expostos a proselitismos e a religiões conversoras desde que nascemos.
Se tem algo difícil no mundo de hoje é viver e deixar viver.
Todo mundo acha que sabe o que é melhor pros outros e fica pregando e perturbando a paciência alheia com normas e verdades prontas, quando o caminho é singular, é muito próprio de cada um.
Assim um(a) vem pregar uma coisa e o(a) outro(a) , com medo que tenha de praticar o que foi pregado, ao invés de dizer: "não é meu caminho" prefere dizer: "é falso".
Generalizar é absurdo, se as propostas do caminho Tolteca forem generalizadas a espécie humana acabaria.
Creio que isto se deve que a chamada realidade é muito frágil e só é mantida pela concernência e concordância de muitas pessoas, assim sabemos, intuitivamente, que quanto mais pessoas crêem em algo, mais real é esse algo.

Para quem não tem a segurança do Real em si, para quem não tem a verdade do que crê afirmada em suas vivências, há uma necessidade muito grande de converter outras pessoas para que com muitos "crentes”, fique a sua verdade fortalecida.

Dessa constatação vem a necessidade de pregar e converter outros para aumentar a força da "realidade" na qual acreditamos e vivemos.
A energia sexual é tremenda, ela pode até mesmo ser acumulada, os acumuladores de Orgon de Reich são uma prova disso, aliás Reich morreu (foi morto?) em parte por causa desse aparelho que foi transformado em verdadeira arma. (quem estudou um pouco da obra dele sabe que ele e seus estudantes chegaram a fazer chover com tais acumuladores, em um deserto nos EUA.)
Este tema da sexualidade é recorrente, me lembro que já debatemos aqui há algum tempo quando falamos de Magia Sexual.
De novo creio que a grande questão é a mesma.
Uma coisa é a sexualidade do dia a dia, para pessoas que querem apenas isso, a satisfação que a sexualidade pode oferecer.
A parte exotérica de certos conhecimentos servem para essas pessoas, podem ajudá-las a resolver suas neuroses, seus traumas e problemas com sexualidade, algo que a quase totalidade desta civilização tem, pois transformou o amor em pecado e o trabalho em sacrifício.
Outra coisa são homens e mulheres que descobriram o tremendo poder do sexo e estão usando este poder para outros fins, para outras estâncias.
Creio que tudo começa quando confundimos as coisas e queremos comparar a sexualidade de uma pessoa "normal”, isto é, uma pessoa que deseja e quer viver apenas de uma forma tranquila e com bem-estar, sem nem muito ir além e alguém que tem um trabalho voltado para outras realidades, para algo que tacanhamente chamamos de Magia, digo tacanhamente porque toda palavra apenas alude, aponta, nunca expressa sem o apoio da experiência vivida .
Existem muitos caminhos, os caminhos místicos, os mágicos e os filosóficos, os caminhos científicos, os caminhos artísticos.
Cada caminho tem suas características e por cada caminho somos levados a desenvolver aspectos diferentes de nós mesmos.
Na ciência, por exemplo, existem aqueles (as) que buscam através do pensamento compreender a existência e fazer uso das "leis" que descobrem, outros (as) entretanto nunca saem do racionalismo, do uso limitado do que poderia ser a mente.
Há os(as) que pensam e os(as) que raciocinam.
Os(as) primeiros(as) são os que lançam a ciência na grande aventura da descoberta, os (as) outros lutam para que nada mude, para que suas idéias pré-concebidas e o poder que tiram disso, não sejam ameaçados.
Em todos os caminhos vemos isso, o caminho emocional é um preâmbulo ao SENTIR assim temos caminhos devocionais que levam apenas a um embotamento supersticioso e fanático e caminhos devocionais que levam a uma fusão com o transcendente.
Cada caminho tem suas regras e suas práticas, num caminho amplo e efetivo tais regras e práticas são decorrentes da observação direta, da constatação por parte dos (as) iniciados(as) de certas formas das coisas acontecerem, em um caminho dogmático regras e práticas vem do achismo e da superstição, muitas vezes objetivando manter os (as) seguidores(as) apenas como seguidores(as) e a elite dominante sempre com o poder.

Os xamãs de várias linhagens consideram a Mulher como nutridora da Vida.

Isto não é justo nem injusto, esses conceitos humanos não entram aí, é um fato energético e fato energético é prá ser visto, observado, contemplado enquanto energia, não para ser debatido com "eu acho isso ou aquilo".
Basta observar num primeiro momento.
Nós homens fecundamos a vida.
Participamos da fase “festa" do processo, depois nos retiramos. Podemos apoiar, até mesmo energeticamente, a mulher durante a gestação, mas os riscos são só dela, se houver algum problema com o feto é ela que vai sofrer, no sentido físico mesmo.
Quem nutre o feto, quem corre TODOS os riscos durante a gravidez é a mulher, isto é um fato, nem justo nem injusto, só um fato.
Então neste primeiro momento já é a mulher que arca com a manutenção e desenvolvimento da Vida.
Depois a amamentação e mesmo em termos sociais até atingir uma certa maturidade é muito mais a mãe que o pai que é responsável pelo amadurecimento e apoio da criança (Existem pais notáveis que fazem um verdadeiro papel amplo aqui, mas por mais que queira um homem nunca vai gerar ou amamentar uma criança, estamos falando de fatos biológicos).
Assim, observando a energia, observando os seres humanos enquanto entes energéticos, xamãs de várias linhagens descobriram que a mulher é mesmo a nutridora do Homem.
Isto não é terrível, discordo completamente do jeito que o tema é apresentado na obra da Taisha Abelar, isto é maravilhoso.
Os homens podem se tornar vampiros energéticos das mulheres, como filhos podem se tornar dependentes de suas mães de uma forma doentia, mas o fato da gestação e amamentação não é algo terrível, como o fato que as mulheres são as que mantém a espécie não o é.
Alguém acha terrível a gestação?
Alguém acha terrível e injusto a amamentação?
No ramo de xamanismo que estudo isto é visto com admiração e respeito e o fato da mulher ser a nutridora da vida e de nós homens é considerado um fato de energia, de poder para ser apreciado, não temido.
Foram muito mais longe e perceberam que a energia base da ETERNIDADE é mesmo feminina e a mulher partilha dessa energia fundamental.
Por isso a DEUSA é uma abordagem do TAO muito mais interessante que o Deus dos pseudo-patriarcais, mas isso não quer dizer que a mulher seja superior ao homem ou toda a bobeira que levantam daí.
Estamos noutra esfera e estes racionalismos não são convidados.
Nós homens somos uma energia mais rara na existência, mais frágil e por isso, crêem os xamãs, lutamos tanto para provar nosso valor, para nos impor, para nos crermos fortes e dominantes.
Podemos tirar esperma do homem para fecundar a mulher, podemos fecundar "in vitro" mas sem útero, não se tem vida.
Assim quando os (as) xamãs dizem que a mulher nutre e sustenta o homem é um fato energético que estão colocando, fruto da observação de incontáveis gerações de "miradores" que observando a energia, como ela flui e como se manifesta chegaram a esta conclusão, sem nenhum pré-conceito.
Aí vamos ao sexo.
Como dizia Freud temos um problema sério.
Nossa educação religiosa é muito precoce, somos expostos a idéias antes de termos maturidade para realmente elaborá-las e ao mesmo tempo nossa educação sexual é tardia.
Isto gera vários problemas e é difícil ver esta questão sexual ser tratada no seu aspecto comum com tranqüilidade.
O sexo faz parte de um imperativo biológico: Reprodução.
E para garantir que a reprodução vai ocorrer o sexo ficou ligado a algo incrível: Prazer.
O prazer biológico é fantástico, é uma forma da Natureza levar o ser humano a realizar seu imperativo.
O ser humano é complexo e sabe então desenvolver tudo o que tem para outras áreas, assim aprendemos a ter prazer sem ir até a reprodução, mas o imperativo biológico continua ali.
Magistas sabem que toda relação termina com uma "cria" quer física , quer "astral".
Aí entra o conhecimento que para gerar o corpo de energia temos que saber canalizar a energia sexual, para que ao invés de gerar uma vida, gere o corpo de energia, que temos em potência.
Acontece que poucas pessoas lidam bem com a sexualidade.
Poucos(as) lidam bem com seus corpos, se sentem bem com a forma que são, que tem, que se manifestam.
A vergonha do próprio corpo, a não aceitação do que somos fisicamente, tudo isto já atrapalha bem qualquer tentativa de ir ao sexo com naturalidade. Isso já gera um monte de problemas. Temos ainda a questão da racionalização do sexo.
É muito raro vermos duas pessoas realmente "transando" uma com a outra.
Grande parte das vezes vemos uma pessoa transando com todas as suas fantasias e projeções, usando a outra como "tela" .
Uma masturbação a dois.
Mas uma relação plena mesmo, aquela que tu olhas no olho da outra pessoa, aquela que tu sentes cada toque, cada contato, o tom de voz, quando contemplas o sorriso, quando a presença de quem está contigo é tão prazerosa que nenhuma fantasia ou imaginação é necessária, esta é uma forma mais rara de relação em nossos dias.
É tão fantástico quando toda nossa pele toca a pele da outra pessoa, quando nossas línguas se encontram, quando os olhares se penetram tanto quanto os corpos, quando o falar é estímulo, quando ouvir a voz da outra pessoa é estímulo, quando a Eternidade se manifesta no corpo desejado e agora presente.
É interessante que depois de uma relação sexual o que parece, para quem não "vê” a energia é que a mulher sugou o homem, aliás, tem vários mitos sobre isso, como a vagina dentada e tal (ai-ai!!).
O homem vem pelo impulso biológico, está excitado, a mulher ali, também excitada, o homem vai, começam as preliminares, quando existem, o homem vai, penetra, entra e sai, entra e sai e então ejacula.
Quando ejacula cumpriu o ditame biológico da espécie, mandou seus espermatozóides para tentar a reprodução.
Vem a famosa "melancolia pós-coito", para a grande maioria dos homens, momento vulnerável, frágil.
E a mulher?
Mesmo que tenha atingido o orgasmo pleno, algo raro, pois as mulheres demoram muito mais que os homens para isso e sabemos que grande parte dos homens ejacula com uma pressa "doida", como se fosse só isso, dar uma "rapidinha" e ainda ficar cobrando da parceira: "e aí, gozou? " pois agora a mulher que antes era tida como "cientificamente incapacitada para o prazer" , tem de "gozar" junto para que o macho se sinta o "foderoso".
Em tudo isso vemos que a sexualidade dita "normal" já é um grande problema mal resolvido na maior parte das pessoas , quanto mais não dizer da sexualidade que sai dessa "normalidade" e entra na MAGIA.
A proposta do xamanismo guerreiro é bem complexa, fica difícil falar sobre a mesma, mas ela pretende que aqueles que praticam tal ARTE deixem os limites humanos e se atrevam a entrar em outras realidades, transmutando seus próprios corpos para isso.
Portanto não estamos nos limites da "normalidade" aqui e é claro que não podemos ficar presos aos conceitos do "senso comum" e do cotidiano aqui.
Ora, pretendemos deixar os limites humanos por superação, não por negação.
Queremos ir além do humano e só posso ir além de algo se sou antes, plenamente esse algo, como só posso expandir a consciência se tenho consciência.
Portanto antes de ir além da sexualidade comum, temos que passar pela sexualidade dita comum, temos que estar bem realizados e resolvidos nesse quesito, por isso o caminho do xamanismo que trilho começa por nos levar a assumir toda nossa sexualidade em plenitude da forma que ela é, para depois irmos além.
Portanto, prá começar a conversa, não tem nada a ver interpretar esse caminho como negação, pois ninguém cresce negando, ninguém cresce dividindo, suprimindo.
Crescemos quando ampliamos.
Portanto o que está proposto no caminho xamânico não tem nada a ver com o dia a dia, nem com a proposta das pessoas que querem uma vida "normal".
Aqui estamos num campo, onde vamos entrar na herança de um saber que está oculto, que tem sido levemente apontado como esoterismo, o saber de como entrar conscientemente em outros mundos, de como desenvolver o corpo de energia que todos temos potencialmente.
E para isso precisamos de um procedimento.

No xamanismo não tem esse papo de "sejam bons e serão evoluídos".

Por isso dizemos que é ARTE, pois como a ARTE não basta o talento, tem que trabalhar para desenvolver este talento.
Assim como um alquimista tem sérias regras para trilhar se deseja mesmo chegar a conclusão de seu trabalho, também quem trilha este caminho tem suas regras e propostas, que não são dogmas, são linhas de ação para se chegar a certos objetivos.
Assim como um(a) alquimista pode morrer envenenado pelo uso inadequado das substâncias que precisa em seu trabalho, também um (a) xamã pode morrer ou enlouquecer se não tomar as devidas medidas para ampliar e fortalecer sua energia.
Assim, para cada pessoa que pretende mesmo ir fundo nas propostas do Xamanismo, entrar em sua parte esotérica, existe todo um cuidado e toda uma série de práticas para tal.
Prá começar o xamanismo não considera que já tenhamos um corpo de energia funcional, crê que temos o germe dele, mas precisamos desenvolvê-lo.
Assim, estamos anos luz dos conceitos kardecistas e similares que dotam o ser humano com uma alma imortal e tal.
Para nós, no xamanismo, isto é fruto de Trabalho.
No começo somos um amontoado de jeitos de reagir, de emocionar e de racionalizar, que existem com um propósito que não é pessoal, mas manter um fluxo de energia no organismo cósmico.
Para o xamanismo toda a vida orgânica sobre a Terra, incluindo os seres humanos, existem para propósitos da Terra.
Nós é que podemos trabalhar duro e adquirir algumas coisas que por acreditarmos que temos acabamos perdendo: Individualidade, Imortalidade, etc.
E para começar esse trabalho precisamos de muita energia.
Aí começa a questão.

Se precisamos de energia temos de aprender a não mais perdê-la. E o Sexo é um caminho de ampliar a energia de forma notável.

E para a mulher isto tem este fator agravante, pois além de prestar atenção em seus hábitos, para sacar o que gera energia e o que gasta energia inutilmente, vai sacar que cada homem com o qual se relaciona deixa nela filamentos de energia que durante sete anos (o tempo aqui é uma aproximação) vai levar energia da mulher para este cara.
Para quem tem muita energia isto não tem problema algum.
Para quem quer uma vida "normal" também sem problemas, a mulher pode muito mais que isto, como temos mulheres que tiveram mais de 15 filhos e continuaram plenas, conheço algumas assim aqui no interior, inteiras prá vida.
Mas para quem quer agora toda a energia para propósitos "xamanísticos" isso é para ser meditado e trabalhado.
Por isso é tolo querer pregar essas idéias para todos (as).

O que é dito aqui só serve para quem quer mesmo se trabalhar na trilha do xamanismo guerreiro e ir em direção as metas que tal Caminho propõe.

Alguém pode ser uma bruxa poderosa, uma xamã curadora, ritualística, pode ser mesmo uma mulher realizada e plena neste mundo sem nunca se ocupar dessas questões.
Mas se deseja chegar as metas propostas pelo caminho do xamanismo guerreiro, ou do Taoísmo do Dragão, ou da Escola chamada de Quarto Caminho, de Gurdjieff, ou de certas escolas de Yoga, ou de certos caminhos tântricos, enfim, se tem por meta atingir um estado além do humano aí começa a ter sentido tudo o que é colocado aqui.
Nós homens também somos orientados a não perdermos energia na ejaculação.
Se formos ao TAOÍSMO vamos encontrar a mesma idéia:
"Cada ejaculação é um dia a menos de vida".
E não ejacular não pode ser um controle mental, isto é tolice, pode levar a loucura e ao desequilibrio, a taras das mais nefastas.
O equilíbrio para isso vem da RESPIRAÇÃO e do TRABALHO INTERIOR, do contrário todo o esperma poupado no não ejacular se perde em poluções noturnas.
Trilhar esse caminho só por livros, sem um(a) mestre (a) que tenha em si realizada a meta é como aprender a nadar em águas turbulentas, através de um curso de correspondência.
Só que tudo isso não é para ser colocado como regra para "a humanidade”, isto é para quem quer ir além, para quem escolheu o "caminho estreito”, para quem quer "ganhar o céu de assalto”, para quem deseja realizar a si mesmo e em si realizar a ETERNIDADE.
Não é matéria para "crença" mas fatos energéticos que o(a) aprendiz é levado a constatar por si, se estiver numa linhagem autêntica, isto é uma linhagem que tem em si a força da TRADIÇÃO ancestral.
Não é matéria para proselitismos, só tem valor para quem sabe o que vai fazer, o que está fazendo e onde pretende chegar.
Por isso abordar esse tema só tem valor aproximado, dizer que existe e que tem sua forma de ser, mas é algo para prática , não para racionalizações.
Tornar-se um(a) xamã não é algo simples, como tornar-se um alquimista também não o é.
Um (a) alquimista vai precisar de profunda disciplina e dedicação, terá que enfrentar toda uma farsa de pseudo-escolas que tentarão seduzi-lo e mesmo que encontre um caminho autêntico existem riscos tremendos na manipulação das substâncias e das práticas que irá aprender até chegar a realizar a pequena obra, condição para ingressar na Grande Obra.
Um homem ou mulher que resolva se dedicar a trilha do xamanismo pode levar esse trabalho adiante por vários caminhos. Poderá aprender por várias linhagens e cada linhagem tem sua forma e seus objetivos.
Alguns ramos de xamanismo pretendem metas que nem vale a pena citar, por falta de referencia na sintaxe usual da atual civilização.
Assim, pretendendo tais metas, também terão objetivos e formas de lidar com tudo que está no caminho muito próprias.
Tais questões passam por aí.
Nuvem que Passa

obs: mensagem escrita faz quase 10 anos no contexto de uma lista de discussão sobre paganismo onde as propostas toltecas da linhagem do novo nagual - Carlos Castaneda - estavam sendo indevidamente generalizadas.


Mestres(as) ou caminho solitário?

Este tema de mestres e solitude do caminho é interessante.
A questão que vejo aqui é que flutuamos entre dois extremos.
Por um lado existem os que se tornam dependentes de mestres e de outro os que negam totalmente isso. Todo extremo é danoso e é sempre útil buscar o saudável caminho do meio. Usaria o exemplo da Arte Marcial para deixar claro como vejo o processo. Não existe arte marcial sem mestre. A essência da Arte Marcial não é essa pancadaria glorificada pelos filmes modernos, é outra coisa. Arte Marcial é um estilo de trabalhar as energias corporais que resultam inclusive em uma habilidade de se defender, mas não é esse seu objetivo focal. Shao Lin, em seus muitos mosteiros e tantos outros centros de aprendizado não tinham na formação de combatentes seu objetivo, isto só acontece mais tarde, quando condições históricas assim obrigam e ainda assim a luta é uma forma de expressão de algo mais amplo.
Taoistas buscam algo mais que lutar, os movimentos, tidos por "experts" ocidentais como excessivos e desnecessários, na realidade tem a função de harmonizar a energia que flui pelos meridianos do corpo, harmonizar e vitalizar os centros orgânicos , é um aprendizado acumulado por gerações e para transmitir na integra tais conhecimentos há a figura de quem ensina. Um conhecimento que durante milhares de anos foi acumulado pode ser transmitido, se fossemos seguir sós no caminho teríamos que ter uma vida de milhares de anos para aprender tudo.
Isso é o "mestre" ou "mestra" embora estes termos sejam tão deturpados que gosto mais do termo que alguns xamãs como o Doutor Carlos Castaneda usa: Benfeitor. Alguém que te ajuda no trabalho, te transmite o conhecimento acumulado por gerações.
Quando Vc aprende matemática não precisa investigar todos os teoremas matemáticos e leis da física. Se o fizesse poderia por exemplo ficar preso no paradigma newtoniano. Mas tem alguém prá te contar que tal paradigma já foi superado e hoje temos a abordagem quântico relativística. Precisamos de alguém para nos contar que o senso comum da abordagem da física clássica foi superado e que a realidade é paradoxal e complexa.
Na Magia ocorre o mesmo. A abordagem pelo senso comum pode levar a erros sem fim. Quantas civilizações ancestrais caíram pelo uso equivocado da magia. Magia não é alguma bobeira mística que podemos "intuir" se formos bons, ou algo assim. É Arte, mas é também ciência. E alguém entraria num laboratório cheio de ácidos e venenos e ficaria buscando por intuição uma mistura entre tais substâncias?
Aliás, a própria intuição é uma habilidade que precisa ser desenvolvida, pois a cultura dominante a bitola profundamente. Mas o mestre real numa linhagem marcial não fica se arrogando títulos ou posições. Ele ou ela, apenas já dominam o suficiente o espirito da Arte para transmitir a outros de forma sistematizada e eficiente.
Aliás, num grupo de arte marcial tradicional quando um aluno novo chega ele não começa já tendo aula com os Mestres da casa. Começa com instrutores que estão mais próximos da realidade de quem chega. Passa por um período de adaptação, um noviciado até ser iniciado formalmente na "família" como chamamos.
Isto ajuda quem chega, que encontra apoio em alguém que está mais próximo de seu estágio, que vai compreender suas dificuldades por ter recentemente passado por elas e ajuda quem faz o papel de instrutor que tem de rever todos o seu próprio aprendizado para poder ensinar com eficiência. Aprender alguma arte marcial depende totalmente de Vc, de sua dedicação, de sua força de vontade, de sua disciplina e ninguém pode te dar a técnica, podem te ensinar, ninguém pode te levar a se desenvolver, podem te mostrar como. Assim também é na Arte Mágica.
Pessoas a mais tempo na arte podem servir de instrutores, pessoas que já aprenderam nuances da Arte, a contornar suas armadilhas e que podem auxiliar no desabrochar de quem está aprendendo. Ninguém pode aprender por Vc, ninguém pode te desenvolver. Podem te auxiliar dando-lhe subsídios.
Qualquer sinal de arrogância porém, de pretensa superioridade indica apenas que temos um ego inflado, uma pessoa que incapaz de se colocar no mundo cotidiano usa da magia para satisfazer suas fantasias de prepotência e poder. Títulos pomposos, "senhor" , "senhora" , "cavaleiro" do tal grau, tudo isso é resquício de um tempo que já se foi. Senhor, domine, está ligado a um arquétipo que nada tem a ver com o paganismo, é profundamente judaico-cristão e só ocorre nas sociedades que decaíram profundamente.
A humildade de quem conhece o mistério vem naturalmente, sabe que somos nada perto da eternidade, que somos efêmeros demais, que temos um longo caminho até para nos considerarmos existentes de fato e frente a imensidão da eternidade como considerar-nos "importantes", "onipotentes"?
Eu tenho um critério pessoal para notar quem já presenciou o mistério. Quem já presenciou o mistério brinca com ele. Sim, brinca, tem uma postura leve, pois o mistério é em si tão complexo, tão avassalador em sua transcendência que a única forma de lidar com ele é de uma forma leve, tranqüila, para apaziguar o assombro que a enormidade da questão nos causa.
Já quem nunca presenciou o mistério, nunca se sensibilizou a ele, precisa de ares, de caras e bocas, de aparências, precisa "fazer" mistério para substituir a ausência do verdadeiro contato com a Eternidade.
São essas pessoas que se arrogam títulos e posições, conhecimentos que dizem secretos e ares mil a protegê-las de que percebam sua ignorância. Temos que tomar muito cuidado quando vamos avaliar as antigas culturas pagãs pois muito de sua história foi terrivelmente deturpada.
Os Incas e Astecas, por exemplo, eram povos conquistadores, como os Romanos. Eram imitadores, copiaram os ritos e a magia dos povos conquistados mas copiaram a forma sem entender a essência. Eles invadiram outros povos, escravizaram e deturparam os sagrados ritos e conhecimentos para seus próprios fins.
É um equívoco acreditar que os Incas construíram lugares como Machu Pichu. Outros povos, como os Aymarás, construíram tais lugares para eles, Incas, aliás, como já disse, Inca é a elite governante do império. Chamar de Inca a complexa cultura que se desenvolveu naquela área dos Andes é como chamar todo o povo egípcio de faraós.
Gurdjieff tem uma abordagem muito interessante desse processo. Ele diz que quando duas pessoas que estão no caminho do trabalho sobre si mesmo se encontram elas primeiro conversam e se observam longamente para descobrir quem entre as duas é a mais desperta. Esta tomará o papel de guia, ou seja alguém que pode auxiliar o despertar. Mas o aprendizado não é nunca uma rua de mão única, há sempre troca e tal troca é rica. Acontece que o ser humano está doente. Entre outras coisas, perdeu a capacidade de tomar decisões.
E aí entra a confusão quando se acredita que um (a) mestre (a) vai ser aquela pessoa que tomará todas as decisões morais e intelectuais pelo aprendiz, vai dizer o que ele deve e não deve fazer. Muito pelo contrário. Os (as) mestres (as) da arte que tive a sorte de conhecer agem de forma oposta. Criam ou te expõe a situações onde você terá que por em prática tudo o que te ensinaram e "somem" enquanto dura a prova, justamente para que Vc aprenda a ser autônomo, a tomar suas próprias decisões morais e intelectuais por si.
Pois é esse o sentido de educar: Ajudar o ser a desabrochar, a revelar seu interior. A escola tradicional nos bitolou em decorar fórmulas e regras, chegar no horário certo e obedecer o professor e muitos levam esses vícios para a vida cotidiana e pior, para o mundo mágico acreditando que magia é também decorar fórmulas, obedecer formalidades e ficar submisso a vontade de outrem.
A questão do caminho ser solitário é outro ponto que questiono. Em certo sentido ele é solitário, tudo importante na vida é solitário. Nascemos sozinhos, morremos sozinhos e se nestes dois momentos mais significativos estamos sós o que não dizer em outros. Mas a existência de grupos de trabalho é possível e até mesmo recomendável. Pois trabalhar sozinho pode ser uma boa desculpa para justamente não se trabalhar, pois nada mais difícil que o convívio humano.
É muito fácil chegar em resoluções irreais quando se está só, em acreditar que atingimos tal ou qual estado, mas quando em contato com outros que nos colocam em xeque constantemente é outra coisa. Um grupo deve ser harmônico e não surge da noite para o dia. Um grupo é formado por laços de respeito e afinidade e é no buscar desses laços que muito se aprende. Todas as escolas iniciáticas consideram que o ser humano no seu estado "normal" está dormindo, robotizado, num sono hipnótico que precisa acordar. Aprender rituais não é acordar, pelo contrário, você pode dormir mais ainda sonhando com os rituais. Acordar é estar presente aqui e agora, consciente e com foco. E nisso um grupo pode te ajudar a não deixar que vc faça joguinhos, que se iluda. É muito difícil o convívio humano, é uma verdadeira arte.
E vejo aí o fato que muitas pessoas preferem o caminho solitário, para evitar o desgaste do convívio, mas aí fogem também do aprendizado. Ficar em torres de marfins, isolado de tudo e todos é fácil, mas qual o valor disso?
Só no contato efetivo com a realidade e com outras pessoas podemos ter certeza que nosso aprendizado é real e não apenas mais uma das muitas ilusões que desenvolvemos durante a vida. Para essa questão do grupo repito a frase de um mestre que muito me ensinou:
Um grupo é como bambus crescendo, crescem juntos mas cada um tem sua raiz.
Nuvem que passa


O que é xamanismo

Xamanismo é um Caminho, é um Tao, e todo Tao que pode ser definido não é o verdadeiro Tao.


Então fique claro que só um (a) praticante pode mesmo entender o que é o xamanismo, nós aqui no limite das palavras vamos aludir, vamos apontar, vamos dar pistas, sem nenhum pretensão de definir, pois só caminhantes entendem do caminho.


As palavras apontam, mas quem quer ver a estrela não fixa o olhar no dedo que a aponta.


A maior parte das pessoas acredita que xamanismo é um conjunto de ritos supersticiosos, evocação de espíritos e coisas assim, mas isso é falso, xamanismo é muito mais que isso, xamanismo é uma abordagem da realidade alternativa a esta que temos hoje, uma forma de se relacionar com outras realidades dentro de paradigmas completamente diferentes.


O que vejo acontecer hoje é o "modismo do xamanismo" esse modismo que a civilização consumista tem como forma de destruir e deturpar o que toca.


O sistema dominante não persegue e mata mais o conhecimento que lhe é ameaçador como na Inquisição ou no Nazismo, age diferente, absorve, contamina com seus valores limitados e devolve como modismo, barato, deturpado, arranca a essência e devolve uma forma insossa.


Qual a origem do Xamanismo?


O Xamanismo vem da origem dos tempos, de antes dela, o xamanismo foi guardado pelos povos nativos mas não vem dos povos nativos, passou por eles, vem da aurora dos tempos, daquele período misterioso quando o ser humano ainda está surgindo e sabíamos conversar com os animais, com as plantas, com as montanhas e serras, com os rios e lagos, com os ventos, quando contávamos nossos segredos a eles e eles contavam seus segredos para nós, quando viviamos em harmonia com a Vida e a Vida nos fortalecia.


Os povos nativos também viveram assim, nesta harmonia com a natureza e com a vida, por isto o xamanismo foi um caminho entre eles, foi mantido e desenvolvido em seu seio.


Para falar do xamanismo precisamos de mito e poesia , pois a palavra do discurso simples é limitada demais para abranger algo tão vasto, esta ARTE, CIÊNCIA, FILOSOFIA e MÍSTICA que de forma generalizada denominamos XAMANISMO.


Qual a origem do termo Xamanismo?


O termo xamanismo foi consagrado pelo uso, Mircea Eliade em suas pesquisas encontrou no norte da Ásia, na região da Sibéria, homens e mulheres capazes de entrar em transe , de estabelecer uma PONTE, entre este mundo e outro, capazes de curar, de afastar tempestades, guardiães da história oral de seu povo, eram gentes que sabiam andar no mundo das não gentes e sabiam travar contato efetivo com estas não gentes e voltavam do seu transe para este mundo e sabiam integrar tudo aquilo na realidade de seus cotidianos.


"Xamãs" assim eram designados no dialeto local e o termo, termo foi incorporado no trabalho de Mircea e se consagrou para definir os yayés, os shabonos, os magistas de várias nações que tem o mesmo poder, ser ponte entre mundos.


O Xamanismo vem de ancestrais civilizações que já existiram na Terra, ao contrário da visão predominante nós acreditamos que a Terra já teve civilizações diversas, de grande desenvolvimento. Civilizações que desenvolveram tecnologias complexas, mas tecnologias brandas, não poluentes, bem diferentes das atuais, por isso , neste campo, deixaram poucos vestígios.


Para nós acontece algo similar como o "Planeta dos Macacos", a civilização dominante tenta a todo custo esconder que os povos escravizados já desenvolveram poderosas civilizações.


Machu Pichu, Tiahuanaco, as ruínas por toda a América Central, Ilha da Páscoa, Stonehenge, Pirâmides no Egito, Angkor, são lembranças desta grande civilização planetário que por alguma razão entrou em colapso há coisa de 10 mil anos atrás.


É desta civilização ancestral que vem grande parte do conhecimento xamânico que é também mantido e desenvolvido pelos povos nativos.


O senso comum que se tem que o xamanismo é apenas um saber nativo precário é equivocado, precário é o conceito que se tem dos povos nativos.


Xamanismo é uma religião?


O Xamanismo tende a ser encarado como religião.


Para alguns civilizados que tem contato com as propostas do xamanismo pode ser, no sentido de caminho de “religare”, de se colocar novamente conectado a si mesmo, a natureza e a Divindade. Mas em sua origem e estrutura é mais que isso.


Porque etimologicamente religião é "religare" conectar o que está desconectado e os povos nativos não estão desconectados, não estão precisando ser religados, estão em total sintonia com a vida, com a Divindade em todas suas formas.


Da mesma forma que não se "reviveria" o que está vivo, não vamos "religar" o que nunca foi desconectado, assim, para os povos nativos o Xamanismo não é uma religião, pois os povos nativos não precisam de religião, não estão desligados como os civilizados, assim não há o que religar.


Então o que é Xamanismo para o povo nativo?


O xamanismo para o povo nativo é uma ciência, uma arte, uma filosofia e uma "mística", não é religião, pois quem não está desconectado, quem não está "desligado" não precisa ser "religado".


Esta a falácia, a triste mentira dos pregadores que vão converter os nativos.


Eles chegam com suas religiões de pecado e medo, de conquista e domínio, roubam o paraíso que o nativo já vive e então lhes prometem um paraíso no futuro, rompem o estado de conexão plena e natural com a Divindade que o nativo já possui e oferecem suas divindades geradas a imagem e semelhança do ser humano, sempre no intuito de dominar e gerar servos.


É a continuação das atrocidades da conquista que continua a cada dia.


Nenhum povo nativo precisa de religião ou conversão, já tem a sua, milenar e completa, é uma violência esses pregadores que vão impor suas religiões aos povos nativos, religiões, oriundas de um mundo, que basta olharmos a nossa volta, não resolveu os problemas básicos sociais, ambientais, políticos, econômicos e existenciais e tem a pretensão de se impor a outros um sistema que nem para si mesmo serve.


Xamanismo é um caminho, não uma religião, porque religião no mundo de hoje é algo muito perdido, instrumento para homens e mulheres dominarem homens e mulheres, justificativa prá guerras, prá atrocidades, o nativo não precisou de nada disso, o xamanismo não trilha esses caminhos de mentira, então não podemos chamar algo tão amplo e complexo como o xamanismo de religião que tem se mostrado algo tão limitado.


Ser Xamã hoje está na moda?


Hoje a moda do xamanismo é "chamar o animal de poder", então se convencionou que basta tocar um tambor ou ouvir o som gravado de um e entrar em alfa e pronto, em coisa de meia hora se imagina uma animal, geralmente um animal fashion e pronto, descobriu seu animal de poder. Isto é uma grande tolice, inverdade, mentira, é mais uma bobeira que criaram para manter o ser humano nesse simulacro de vida, com simulacros de vivências.


O civilizado já roubou as terras do nativo, depois roubou sua alma, depois roubou sua história, agora rouba suas práticas e as falseia.


Eu afirmo, como xamã, que isto é falso, que nada tem a ver com a profunda e transformadora experiência que é ir ao animal de poder, porque não "temos" um animal de poder, somos nosso animal como este animal é a gente, numa relação muito complexa onde descobrimos que somos seres que existimos em muitas facetas e dimensões diferentes simultaneamente.


Um aprendizado que requer anos de preparo para não esfacelar nossa psique, mas que bem elaborado vai ser integrado a nossa realidade existencial e nos fazer mais fortes e livres da Matrix onde fomos inseridos.


Despertar nosso animal de poder é uma experiência avassaladora que muda toda a vida da gente, não pode ser gerada dentro de uma sala, de um salão com mais dez pessoas e um só "facilitador" brincando de xamã.


Um animal de poder é evocado em um rito , num lugar ermo, com grande fogueira que não pode se apagar durante todo o rito, quem vai ritualizar jejuou, suou, já se harmonizou com sua árvore de poder, sua pedra de poder e só então vai percorrer a perigosa trilha até o animal de poder.


Mas hoje existe o que chamo de xamanismo "fast food" e simplificam tudo.


Confundem experiências psicológicas com experiências espirituais, tem seu valor, mas vamos deixar claro, experiências catárticas psicológicas não são experiências espirituais.


A civilização tecnológica por ter gerado suas máquinas e seus brinquedos de conforto tem a pretensão em ser o ápice do desenvolvimento humano.


O Xamanismo ri disso, enquanto a Nasa gasta milhões para suas naves, xamãs viajam pelas dimensões da realidade usando meios bem mais simples mas não menos reais.


As tradições xamânicas têm sua práxis e complexidade como as universidades modernas o têm.


O saber xamânico também exige estudo, disciplina e experimentação.


Apenas diferimos enquanto o cientista fica trancado em seu laboratório o(a) xamã tem na vida seu campo de estudo e experimentação.


Os povos nativos tem uma harmonia fantástica com a Vida, com a Terra como ser vivo, com a Natureza, harmonia que perdemos completamente, primeiro pelas religiões que afastaram nosso contato com a Vida e a natureza, depois pela revolução industrial que para atingir seus fins, "coisificou" tudo, arrancando da natureza sua condição de ser vivo e consciente e limitando a mesma a "fornecedora de matérias primas".


O Xamanismo é uma abordagem orgânica da vida, do fenômeno de estar vivo e da vida como campo cognitivo.


E Carlos Castaneda?


A atual onda de interesse pelo xamanismo deve sem dúvida muito ao Doutor Carlos Castaneda.


Embora grande parte de suas obras não sejam reconhecidas pelos círculos antropológicos mais ortodoxos é graças a obra deste notável cientista que o mundo contemporâneo, empenhado numa campanha sistemática de extermínio dos povos' nativos, não só fisicamente, como também os apagando da história com avaliações superficiais e patéticas de suas tradições, começou a rever o papel desses homens e mulheres que merecem uma reavaliação profunda de tudo que foi dito e escrito sobre eles.


Carlos Castaneda é um dos mais profundos e inovadores pensadores do século XX, suas obras escapam da mesmice do ocultismo europeu e orientalista até então em voga e apresentam uma nova descrição de mundo que segundo o autor lhe foi revelada por um grupo de herdeiros de uma antiga civilização que viveu no México Central, uma tradição que ele chama de Toltecas, deixando claro que pouco tem a ver com os Toltecas enquanto nação.


Há uma elegância e coerência nas idéias apresentadas no decorrer das obras do Doutor Carlos Castaneda que colocam suas teorias naquela condição que os físicos e cientistas em geral apontam para validar uma teoria, ampla, abrangente, elegante e resistente a inquirições de vários ângulos.


Dr. Deepak Chopra coloca: "Carlos Castaneda foi um dos pensadores mais profundos e influentes do século XX. Suas idéias estão definindo a direção da futura evolução da consciência humana. Todos nós lhe devemos muito".


O xamanismo e as nações indígenas devem muito a este cientista, mas o xamanismo apresentado pelo Doutor Castaneda representa uma vertente , existem muitos outros movimentos xamânicos em ação no mundo contemporâneo.


Existem ramificações no Xamanismo?


O xamanismo vai mais além, é uma vasta árvore, com frondosa copa, de muitos galhos e ramificações.


Existem ramos de xamanismo de cura, dança, canto, música, contos, lendas, existem abordagens diferentes de como se aproximar do xamanismo e de como trilhar o caminho, de acordo com a Tradição que o apresenta.


Quais os princípios do Xamanismo?


O Xamanismo está profundamente ligado a natureza, assim, se formos falar de princípios do xamanismo um deles será um elo com a natureza, uma postura ecológica constante, uma relação de respeito e igualdade com tudo que é vivo, um tratar dos animais e plantas como iguais, num nível que o civilizado tem dificuldade de entender.


O xamanismo celebra a vida, os ciclos da natureza, mas o celebrar do xamanismo não é adorar, não é prestar culto ou submissão a um ente superior, para o xamanismo tudo está interligado, assim tudo é igualmente sagrado, um (a) xamã se ajoelhando na terra não estará demonstrando "temor" a um ente superior, está se aninhando no seio da Mãe, se aconchegando na fonte de onde tudo provém, a Mãe Terra.


Como posso me tornar um Xamã?


Muitas pessoas podem se perguntar: como posso me tornar um xamã? Depende da tradição.


Um xamã via de regra é escolhido por sinais, sinais que nascem da natureza, do meio onde vive.


Existem muitos caminhos, alguns ficam doentes, tem problemas sérios e então entidades mágicas e forças especiais vem em seu auxilio, quando estão curados descobrem que podem ser estas pontes e é isto que os xamãs são, pontes, seres capazes de entrar e sair deste mundo.


Depois vem a habilidade de curar, de encantar, enfim, habilidades diversas que demonstram a condição de xamã.


Outros (as) são aceitos(as) como aprendizes por quem já trilha o caminho e recebem aprendizado formal.


Aprendem a lidar com ervas, a curar, a encantar, a se comunicar com os animais, a tirar seu poder da natureza e com ele realizar magias diversas.


Outras tradições consideram que não está na esfera do humano escolher quem vai ou não ser xamã, só sinais impessoais, vindos da própria natureza podem indicar quem está pronto quem não está para isso.


Mas tornar-se xamã é um caminho longo, lento, para a vida inteira, assim o que não podemos é cair no charlatanismo dos que "vendem" iniciação, como tenho visto por aí, vendendo fases de iniciação, cada uma a um preço bem salgado, isto é puro charlatanismo, é querer lucrar com a ingenuidade e boa fé alheia.


Pode-se dar um curso de xamanismo e mesmo cobrar por isso, mas lembrar que assim como quem faz um curso sobre dietética pode aprender a se alimentar melhor, mas não vai se tornar um nutricionista com o curso, quem faz um curso sobre xamanismo pode aprender a usar vários conhecimentos xamânicos para viver melhor, mas não vai se tornar um xamã com isso.


Ninguém pode tornar ninguém xamã, como ninguém torna ninguém artista, o máximo que fazemos é ajudar a desabrochar e como no caso do (a) artista, um(a) outro (a) mais experiente, pode transmitir as técnicas que vão apurar o talento já existente, mas ninguém gera um artista, as forças que geram um(a) artista ou um (a) xamã, nascem além da esfera humana e não temos nenhum controle sobre as mesmas.


Cada pessoa, de acordo com sua afinidade vai se aproximar de forma diferente e trilhar de forma distinta o Caminho, que como todo TAO se adapta ao caminhante tanto quanto o caminhante se adapta ao Caminho.


Há um dito antigo que serve a todo buscador sincero:


"Quando queremos sinceramente nos pôr a caminho para a grande busca, o nosso objetivo, com igual ímpeto se põe em nossa busca e com o mesmo ímpeto que buscamos nosso objetivo, ele nos buscará."




Nuvem que passa